AMBIENTES DE SUPORTE PARA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA:
A mediação para aprendizagem cooperativa
Querte Teresinha Conzi Mehlecke1
Liane Margarida Rockenbach Tarouco2
Resumo
Este artigo apresenta um estudo sobre os ambientes de Educação a Distância que
propiciem a interatividade, cooperação e aprendizagem entre os envolvidos. Também
pretende apresentar subsídios para a reflexão das ferramentas de comunicação utilizadas
em ambientes virtuais de aprendizagem.
Palavras-chave: educação a distância, ferramentas para educação a distância,
comunicação síncrona e assíncrona.
Abstract
This article aims at presenting a study on Distance Learning environments that
promote interactivity, cooperation and learning among participants. It also intends to
offer subsidy for reflection upon the communication tools utilized in virtual learning
environments.
Key words: distance learning, distance learning tools, synchronous and asynchronous
communication.
1 Introdução
O desenvolvimento de novas tecnologias de informação e comunicação tem
sido, no decorrer dos anos, um agente relevante de aprendizagem que conduz à
expansão das oportunidades de combinação de recursos tecnológicos e humanos. A
Educação a Distância, portanto, decorre da necessidade de novas propostas de estudo,
onde o aluno não tem uma delimitação geográfica e nem uma sala de aula presencial
para buscar sua qualificação. Por isso, estudos sobre a utilização das ferramentas
disponíveis nos ambientes de educação a distância, faz-se necessário para que os
recursos empregados não sejam um restritor para a aprendizagem no meio virtual.
A utilização dos ambientes de aprendizagem virtual, em decorrência, é o ponto
principal da comunicação entre alunos e professores dispersos geograficamente. Ao
escolher um determinado ambiente para EaD, os profissionais envolvidos devem ter
conhecimento suficiente sobre as implicações de tal escolha assim como objetivos
claros a serem alcançados, preservando a credibilidade e a seriedade dos cursos
oferecidos.
1 Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação- UFRGS/PGIE
2 Professora Drª do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação/ UFRGS e do Programa de
Pós-Graduação em Informática na Educação da UFRGS. Diretora do Centro Interdisciplinar de Novas
Tecnologias na Educação/CINTED
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Definimos "ambientes de aprendizagem" como sistemas de ensino e
aprendizagem integrados e abrangentes capazes de promover o engajamento do aluno
(Black& McClintock, 1996; Dewey, 1933 in Coscarelli, 2002).
Neste processo, "Os estudantes não devem ser objetos, mas, sim, sujeitos do
processo de aprendizagem. Por isso devem ser criadas situações de ensino e
aprendizagem nas quais eles mesmos possam organizar seu estudo(princípio do estudo
autônomo). O próprio estudo não é iniciado e dirigido por eventos expositivos e
receptivos ritualizados, mas, sim, por meio de discussão e interação (princípio do
estudo por meio de comunicação e interação)." (Peters, 2001, p. 179)
A interação num ambiente virtual de aprendizagem é fundamental para que os
alunos possam organizar suas idéias, compartilhar seus conhecimentos tornado-se
sujeitos autônomos de sua aprendizagem.
Disponibilizar um ambiente de aprendizagem virtual que propicie a cooperação e
a interatividade requer, fundamentalmente, algumas ferramentas que suportem tais
interações. A fim de prover essas funcionalidades, apresenta-se, a seguir, algumas
ferramentas que podem promover tais requisitos.
Na seção 2, são descritos, em primeiro lugar, os componentes do sistema de
Educação a Distância referenciados por Landim(1997), seguidos dos modelos para o
ensino a distância de Peters(2002).
A seção 3 apresenta as ferramentas utilizadas nos ambientes virtuais de
aprendizagem.
A seção 4 apresenta as teorias de aprendizagem a serem consideradas nos
ambientes virtuais de aprendizagem.
A seção 5 apresenta ambientes de suporte para Educação à Distância
E, finalmente, na seção 6, apresenta-se as considerações finais sobre as
ferramentas e ambientes de suporte para educação a distância
2 Componentes do sistema de Educação a Distância
O uso das ferramentas tecnológicas, que promovem a comunicação, auxiliam
professores e alunos no processo de ensino e aprendizagem a distância, criando novas
possibilidades de ensino não presencial através da rede Internet.
Landim(1997), apresenta quatro características necessárias para o sistema de
educação a distância:
- O aluno como sendo o centro do processo educativo.
- O docente que será o motivador e possibilitador da aprendizagem
cooperativa e interativa no ambiente virtual.
- A comunicação que poderá ser realizada através de material impresso,
audiovisual, telemática (Internet, softwares, CD-ROM, vídeo interativo,
hipermídia, entre outros) e a tutoria mediando o presencial e o virtual.
- A estrutura e organização dos materiais, da distribuição de materiais,
processos de comunicação e avaliação, fazem parte do processo inicial no
desenvolvimento de programas de ensino a distância.
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Às características apresentadas por Landim, acrescentaria mais uma, que
corresponderia ao "tutor", citado por ela dentro da ação do docente: "...tutor, assessor,
conselheiro, animadores, que motivam a aprendizagem e resolvem as dúvidas e os
problemas surgidos no estudo dos alunos e, neste caso, avaliam as
aprendizagens"(p.39). Por mais que o professor exerça esta função, faz-se necessária a
ação do tutor que aqui passaria a se chamar de "monitor", levando em consideração
algumas participações e auxílio ao professor quanto ao atendimento dos alunos em
diferentes horários.
Na seqüência, apresenta-se os diferentes modelos de ensino a distância,
relacionados por Peters(2001):
Ensino por correspondência: material impresso (livros didáticos).
Ensino a distância clássico: material diversificado como material
impresso, televisão, rádio, audiovisuais, tutores.
Ensino a distância com base na pesquisa: caracterizado pela leitura de
cursos de ensino a distância impressos e na freqüência parcialmente
obrigatória em seminários. Concede apenas o grau superior ou de mestre.
Ensino a distância grupal: programações didáticas por rádio e televisão
associadas a atividades regulares obrigatórias, com presença.
Ensino a distância autônomo: planejar, organizar e implementar
isoladamente. A universidade apenas aconselha, incentiva, assiste e
fornece certificado.
Ensino a distância por teleconferência: oferecido por um consórcio de
universidades para estudantes das universidades-membro e também a
outras instituições.
Ensino a distância com base em quatro formas de teleconferência: podem
participar estudantes avulsos e grupos de estudantes em seus locais de
trabalho, ligados por sua vez à atividade docente das universidades que
cooperam com o projeto.
Os modelos acima apresentados, são flexíveis e variáveis, o que torna o ensino a
distância adaptável às diferentes situações e necessidades.
3 Ferramentas utilizadas em ambientes virtuais de aprendizagem
Os ambientes de educação a distância apresentam uma diversidade de
ferramentas que podem promover tanto a comunicação síncrona como assíncrona.
Apresenta-se, a seguir, o que compõe cada comunicação:
Comunicação assíncrona:
E-mail: forma digital de correspondência enviada pela rede Internet;
Grupos de discussão: Estimulam a troca de informações através de
mensagens entre vários membros de uma comunidade virtual que têm
interesses afins. Chamada também de lista de discussão;
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World Wide Web (WWW): definida como um grande sistema de
informações que permite a recuperação de informação hipermídia. Ela
possibilita o acesso universal de um grande número de pessoas a um
grande universo de documentos;
FTP e Download: disponibilização de arquivos contendo áudio, texto,
imagens ou vídeos;
Vídeo e Áudio sob demanda: permite assistir-se, assíncronamente,
vídeos ou áudios previamente gravados e armazenados no servidor.
Comunicação síncrona:
Chat: Comunicação em tempo real entre duas ou mais pessoas,
conhecida também como bate-papo;
Videoconferência: Comunicação bidirecional através de envio de
áudio e vídeo em tempo real, via Web,por meio de câmeras acopladas
ao computador;
Teleconferência: Definida como todo o tipo de conferência a
distância em tempo real, envolvendo transmissão e recepção de
diversos tipos de mídia, assim como suas combinações;
Áudio-conferência: Sistema de transmissão de áudio, recebido por
um ou mais usuários simultaneamente.
A utilização de outros recursos tais como CDRoms, fitas de vídeo, disquetes e
materiais impressos, é uma forma de complementar e auxiliar os alunos com maior
dificuldade de acesso à Internet. Dessa forma, a inclusão de outros recursos para os
cursos virtuais facilitará, em alguns casos, o acompanhamento dos alunos que têm
dificuldades em suas conexões com a Internet nos cursos virtuais.
O importante é levar o conhecimento aos mais diversos pontos,
independentemente das tecnologias utilizadas. Isso não quer dizer que a qualidade dos
materiais tenha que ser inferior às disponíveis na rede. Ao contrário, pois os materiais
devem ser bem elaborados dadas as dificuldades de comunicação entre alunos,
monitores e professores. Peters(2002) fundamenta a presente argumentação, dizendo:
"Caso de desenvolverem ainda mais o hardware e o software necessários para
isso, será possível fazer uma combinação das técnicas de ensino e aprendizagem
discutidas até agora e, em parte, também integrá-las. Então os estudantes poderão
desenvolver em seu ambiente digital de estudo tantas atividades de estudo jamais
possíveis antes e em qualquer lugar. Eles então não utilizarão somente cursos de ensino
à distância alternativos multimediais através do CD-ROM, Internet ou ISDN, não
apenas dialogarão com outros estudantes e não apenas participarão de preleções,
seminários, exercícios e aulas práticas virtuais na forma de teleconferência, mas
também tirarão proveito de outras funções, como as oferece uma universidade no
campus real. Desse modo descortinam-se os primeiros contornos de uma universidade
virtual. ( p. 270-271)
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4 A influência das teorias de aprendizagem nos ambientes de educação a distância
Segundo Moran(2002), aprendemos melhor quando vivenciamos,
experimentamos, sentimos, quando relacionamos, estabelecemos vínculos, laços,entre o
que estava solto, caótico, disperso, integrando-se em um novo contexto, dando-lhe
significado, encontrando um novo sentido. Aprendemos pelo pensamento, pelo encontro
com o significado, quando interagimos com o mundo, pelo interesse, pela necessidade,
pelo desejo de conhecer, de interagir com o meio social e cultural diverso.
"Aprendemos realmente quando conseguimos transformar nossa vida em um processo
permanente, paciente, confiante e afetuoso de aprendizagem. ...paciente porque nunca
acaba. Paciente porque os resultados sem sempre aparecem imediatamente e sempre se
modificam. Confiante, porque aprendemos mais se temos uma atitude confiante,
positiva, diante da vida, do mundo e de nós mesmos. Processo afetuoso, impregnado de
carinho, ternura, de compreensão, porque nos faz avançar muito mais.(p.24)
Apesar de aprender por diversos meios, Landim(1997) apresenta formas de
aprendizagem em que em determinados fatores propiciam uma maior aprendizagem e
retenção do conhecimento.
Vejamos os dados a seguir:
Conhecimento
Como se aprende
Como se retém
1,0% em função do gosto
10% do que se lê
1,5% em função do tato
20% do que se escuta
3,5% em função do olfato
30% do que se v
11,0% em função da audição
50% do que se vê e escuta
83,0 % em função da visão
70% do que se diz e se discute
90% do que se diz e logo se faz
(Landim1997, p.99)
No contexto acima referenciado, pode-se inferir que, se aprendemos mais em
função do que vemos e menos por meio dos outros sentidos, retemos conseqüentemente
maior conhecimento quando dizemos algo, surgindo em decorrência a ação. Neste caso,
poderia-se afirmar que os ambientes virtuais de aprendizagem são ferramentas
potenciais para a aprendizagem, pois ao navegar no ambiente o aluno não só estará
visualizando, participando, interagindo, cooperando, como construindo o conhecimento.
Piaget(1998), ao conceituar a noção de cooperação, afirma: "A cooperação, com
efeito, é um método característico da sociedade que se constrói pela reciprocidade dos
trabalhadores e a implica, ou seja, é precisamente uma norma racional e moral
indispensável para a formação das personalidades, ao passo que a coerção fundada
apenas sobre a autoridade dos mais velhos ou do costume, nada mais é que a
cristalização da sociedade já construída e enquanto tal personalidade não tem
justamente nada de oposto às realidades sociais, pois constitui, ao contrário, o produto
por excelência da cooperação." ( p. 141)
Os recursos da Internet utilizados como suporte à comunicação, tais como as
salas de bate-papo, mural eletrônico, quadro compartilhado, fórum, áudio e
videoconferência são exemplos de mecanismos disponíveis que permitem ampliar a
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interação e comunicação em atividades de EAD e que ganham relevância na medida em
que uma nova maneira de produzir conhecimento vem se instalando com o computador,
veiculando a possibilidade de se aprender, fazendo.
Nesta linha, Santoro(2002), destaca as teorias de aprendizagem em ambientes
virtuais como sendo "um dos fatores mais importantes que regulam a colaboração é a
teoria da aprendizagem a qual a interação cooperativa será baseada, buscando
reconhecer a dinâmica envolvida nos atos de ensinar e aprender partindo do
reconhecimento da evolução cognitiva do homem..."
De acordo com os estudos de framework de Santoro, salientam-se algumas
características interessantes de serem observadas nos ambientes de aprendizagem virtual
desenvolvidos pela pesquisadora, a saber:
Comunicação
·Síncrona e assíncrona
Grau de Interação
·Pequeno, Médio ou Grande
Coordenação
·Objeto gerenciado - direitos para gerenciar uma ação
Negociação e tomada de decisão
·Livre ou estruturado
Representação de conhecimentos
·Discussões coletivas e individuais
Memória de grupo
·Ficam registrados e armazenados todas as i
Percepção
·Online e off line
Designação de Papéis
·Direitos distintos
·Responsabilidades diferenciadas
interações dos fóruns e mensagens
De acordo com Cosacarelli(2002) a integração de conhecimentos e saberes de
diversas áreas é a marca de ambientes de parendizagem. Na integração multidisciplinar
(conteúdo cruzado), as fronteiras implícitas ou explícitas entre as disciplinas são
minimizadas pela utilização, integração e exploração de informação, conceitos e
habilidades, numa varieda