Reusabilidade de objetos educacionais
Liane Margarida Rockenbach Tarouco *
Marie-Christine Julie Mascarenhas Fabre **
Fabrício Raupp Tamusiunas ***
Resumo: A tecnologia de informática e comunicação atualmente permite criar material didático
usando multimídia com interatividade que tornam mais efetivos os ambientes de ensino-
aprendizagem apoiados nas TICs. Todavia o projeto e desenvolvimento deste tipo de material de
apoio demanda muito esforço, mesmo considerando o uso de linguagens de autoração. Isto ensejou o
desenvolvimento da estratégia de orientar sua construção na metodologia orientada a objetos. Os
recursos educacionais construídos segundo esta estratégia foram denominados objetos educacionais
(learning objects) e organismos de padronização como o IEEE (1484.12.1-2002 IEEE Standard for
Learning Object Metadata) e ISO (SC 36 WG 2 - Information Technology for Learning, Education
and Training) têm grupos trabalhando na elaboração de propostas para sua estruturação e
categorização (metadados) de modo a alcançar acessibilidade, interoperabilidade, durabilidade e
reusabilidade dos recursos educacionais construídos. Este trabalho pretende apresentar os resultados
alcançados numa fase preliminar de criação de um repositório de objetos educacionais reusáveis, a
estrutura de metadados criada para sua categorização e o ambiente de implementação do sistema de
cadastramento dos objetos educacionais, o qual usa um servidor de diretório baseado no padrão
LDAP (Lightweight Directory Access Protocol).
Palavras-chave: objetos educacionais, metadados, reusabilidade.
1. Introdução
A tecnologia de informática e comunicação atualmente permite criar material
didático usando multimídia com interatividade que tornam mais efetivos os ambientes
de ensino-aprendizagem apoiados nas TICs. No entanto, o projeto e desenvolvimento
desses recursos, mesmo considerando o uso de linguagens de autoração, demandam
muito esforço e envolvem grandes investimentos em recursos humanos e financeiros.
Isto ensejou o desenvolvimento da estratégia de orientar sua construção na
metodologia orientada a objetos. Os recursos educacionais construídos segundo esta
estratégia foram denominados objetos educacionais (learning objects) e organismos de
padronização como o IEEE (1484.12.1-2002 Standard for Learning Object Metadata) e
ISO (SC 36 WG 2 - Information Technology for Learning, Education and Training) têm
grupos trabalhando na elaboração de propostas para sua estruturação e categorização
(metadados).
O metadado de um objeto educacional descreve características relevantes que são
utilizadas para sua catalogação em repositórios de objetos educacionais reusáveis,
podendo ser recuperados posteriormente através de sistemas de busca ou utilizados
através de learning management systems (LMS) para compor unidades de
aprendizagem.
* Professora do Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação (PGIE/UFRGS) e da Faculdade
de Educação (UFRGS), Diretora do Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação
(CINTED/UFRGS), liane@penta.ufrgs.br.
** Pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação (PGIE/UFRGS),
Especialista em Informática na Educação (PGIE/UFRGS), marie@pgie.ufrgs.br.
*** Analista de Sistemas POP-RS/CPD (UFRGS), Bacharel em Ciência da Computação (ULBRA),
fabricio@penta.ufrgs.br.
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Além da reusabilidade desses recursos, que possibilita incorporá-los em múltiplas
aplicações, destacam-se também outros benefícios da catalogação de objetos
educacionais:
acessibilidade: pela possibilidade de acessar recursos educacionais em um local
remoto e usá-los em muitos outros locais;
interoperabilidade: podendo utilizar componentes desenvolvidos em um local,
com algum conjunto de ferramentas ou plataformas, em outros locais com outras
ferramentas e plataformas;
durabilidade: para continuar usando recursos educacionais quando a base
tecnológica muda, sem reprojeto ou recodificação.
2. Objetos educacionais
Objetos educacionais podem ser definidos como qualquer recurso, suplementar ao
processo de aprendizagem, que pode ser reusado para apoiar a aprendizagem. O termo
objeto educacional (learning object) geralmente aplica-se a materiais educacionais
projetados e construídos em pequenos conjuntos com vistas a maximizar as situações de
aprendizagem onde o recurso pode ser utilizado.
A idéia básica é a de que os objetos sejam como blocos com os quais será construído
o contexto de aprendizagem. O projeto e criação destes objetos são realizados usando-se
linguagens e ferramentas de autoria que permitem maior produtividade uma vez que a
construção dos mesmos demanda elevada quantidade de tempo e recursos,
especialmente quando envolvem multimídia.
Objetos educacionais são mais eficientemente aproveitados quando organizados em
uma classificação de metadados e armazenados em um repositório integrável a um
sistema de gerenciamento de aprendizagem (Learning Management System). A adoção
de padrões abertos para este fim é desejável, uma vez que o rápido avanço da tecnologia
leva à possível substituição de plataformas de gerenciamento de aprendizagem com
maior rapidez do que a desatualização e/ou obsolescência de um objeto educacional,
que pode ser atualizado e continuar a ser reusado em outro contexto. A estratégia de
adotar padrões abertos também tem como objetivo alcançar independência de
plataforma onde os objetos vão ser exibidos/executados permitindo o uso de diferentes
sistemas operacionais e plataformas de hardware. Considerando-se as cada vez mais
variadas opções para o eLearning, isto é especialmente relevante, pois o ambiente a
apoiar a aprendizagem está se expandindo para além do escopo dos computadores
atualmente sendo usados, passando a utilizar também computadores de mão portáteis
(agendas eletrônicas) e mesmo telefones celulares das novas gerações.
O compartilhamento de objetos educacionais pode ser condicionado a aspectos
legais, financeiros e técnicos e, por este motivo, o acesso aos mesmos pode e deve ser
controlado, e este controle de acesso também deve utilizar soluções baseadas em
padrões abertos. A solução advogada pela equipe é a de usar um serviço de diretórios
padronizado para catalogar os objetos educacionais. Este serviço será descrito na
próxima sessão bem como o projeto em desenvolvimento.
O repositório de objetos educacionais pode ser local (uma só instituição) ou
distribuído (consórcio de instituições). Existem atualmente diversos consórcios de
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instituições acadêmicas organizando repositórios de objetos educacionais. Um dos
esforços mais relevantes é o da Advanced Distributed Learning (ADL) Initiative,
patrocinada pelo Office of the Secretary of Defense (OSD), que é um esforço conjunto
do governo norte-americano, indústria e academia para estabelecer um novo contexto
educacional que permita a interoperabilidade de ferramentas de aprendizagem e
conteúdos em escala global (ADL, 2003).
A descrição dos atributos de catalogação dos objetos (metadados) deve permitir sua
pesquisa e recuperação por diferentes critérios. Ferramentas de suporte à aprendizagem
podem interagir diretamente com o repositório, selecionando e recuperando objetos,
combinando-os de modo a compor unidades de suporte a aprendizagem que atendam a
necessidades individuais de cada estudante.
O tamanho/granulidade dos objetos educacionais deve ser escolhido de modo a
maximizar seu reuso. Embora objetos educacionais maiores sejam mais fáceis de
administrar são menos fáceis de recontextualizar para outros cenários de aprendizagem
diferentes daqueles para os quais foram inicialmente previstos. Objetos educacionais
menores podem ser mais precisamente definidos, são mais fáceis de recontextualizar
mas demandam esforço para organizar com vistas a facilitar sua localização.
3. Servidor de diretórios para registrar objetos educacionais
Com o aumento no tamanho das redes e as constantes mudanças pelas quais as redes
passam, os usuários passam a necessitar um serviço que permita um acesso transparente
ao usuário aos recursos da rede. Um Serviço de Diretórios é responsável por permitir
que o usuário possa consultar ou navegar em diretórios de usuário, organizações ou
recursos, sem ter a necessidade de conhecer detalhes sobre os objetos armazenados
nestes diretórios. Indivíduos e organizações podem usar um serviço de diretórios para
tornar disponível um amplo conjunto de informações sobre eles próprios e sobre os
recursos que desejam oferecer para uso na rede. Usuários podem pesquisar o diretório
em busca de informações específicas, tendo somente conhecimento parcial sobre o seu
nome, estrutura ou conteúdo.
A ITU (International Telecommunicatins Unit) e a ISO (International Standards
Organization) definiram um conjunto de padrões para um Serviço de Diretório de rede,
chamado de X.500 (ITU, 1988 e ISO, 1988). O padrão X.500 especifica um sistema de
Diretório distribuído que atende a consultas sobre objetos da rede. Este sistema engloba
uma base de dados constituída de nomes e, para cada nome, um conjunto de
propriedades a ele associadas. O padrão define o serviço como de acesso a informações
sobre entidades do mundo real, porém ele também pode ser utilizado para acessar
informações sobre serviços de hardware e software. O serviço de Diretório pode ser
também usado para apoiar a definição de grupos de objetos, para autenticação de
usuários e para funções de gerenciamento de redes. O padrão X.500 define o Diretório
como uma coleção de sistemas abertos que cooperam para manter uma base de dados
lógica com informações sobre um conjunto de objetos do mundo real. Os usuários do
Diretório, incluindo pessoas e programas, podem ler e modificar as informações, ou
parte dela, se tiverem permissão para isto (Weider e Reynolds, 1992).
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A recomendação X.500 é definida para suportar um diretório amplamente
distribuído. Uma maneira de alcançar a distribuição é definir uma rede de processos
clientes e servidores. Cada processo pode residir em um computador diferente e os
processos se comunicam uns com os outros através de protocolos bem definidos.
Processos clientes requisitam serviços dos servidores, que fornecem estes serviços.
No modelo funcional são definidos dois tipos de processos ou agentes:
Agentes do Usuário de Diretórios (AUD)
Agentes do Serviço de Diretórios (ASD)
Um Agente do Usuário de Diretórios atua em benefício de um único usuário de
Diretório. Quando uma pessoa ou processo deseja utilizar o Diretório interage com seu
AUD. O AUD então desencadeia as ações apropriadas. O Agente de Usuário do
Diretório está concentrado no primeiro nível de abstração e trata da maneira pela qual o
usuário interage com o Diretório. A natureza desta interação entre os dois componentes
foi padronizada, e envolve um conjunto de operações que pode ser executada no
Diretório por um usuário do Diretório. Este protocolo é denominado Protocolo de
Acesso ao Diretório (DAP).
Um Agente do Sistema de Diretório é um processo de aplicação OSI que é parte do
Diretório é cujo papel é fornecer acesso à base de informações para Agentes de Usuário
do Diretório e/ou para outros ASDs. Um ASD pode usar informações armazenadas em
seu banco de dados local ou pode interagir com outros ASDs para responder a
requisições.
Todos os serviços de Diretório são providos ao usuário pelo Diretório em resposta a
pedidos dos AUDs. Existem pedidos que permitem conexão ao diretório, interrogação
do Diretório e serviços para modificação do Diretório. Cada pedido pode estar
acompanhado por informações para suportar mecanismos de segurança para proteger as
informações do Diretório. Estas informações podem incluir pedidos de usuário para
vários tipos de proteção, como por exemplo, assinatura digital do pedido, junto com
informação para auxiliar um interlocutor correto a verificar a assinatura.
Existem dois protocolos usados pelo Diretório. O Protocolo de Acesso ao
Diretório (PAD) é usado em interações entre um AUD e um ASD. Já o Protocolo do
Sistema de Diretórios (PSD) é usado em interações entre dois ASD.
O interesse da Internet no serviço definido pela recomendação X.500 tinha como
obstáculo a complexidade dos protocolos especificados na recomendação X.500 para a
interoperação dos servidores de diretórios, pois foi previsto que toda a pilha OSI (Open
System Interconnection) fosse usada. Um esforço de simplificação foi feito sobre o
protocolo DAP resultando no que foi denominado LDAP (Lighweight Directory Access
Protocol) um protocolo de acesso ao servidor de diretório mais leve, menos complexo,
com as mensagens do protocolo de aplicação transportadas diretamente pela camada
TCP (Transport Contro Protocol) da arquietura da Internet (Hodges e Morgan, 2002;
Stokes et al. 2002).
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4. O projeto CESTA
O projeto CESTA - Coletânea de Entidades de Suporte ao uso de Tecnologia na
Aprendizagem foi iniciado com vistas a sistematizar e organizar o registro dos objetos
educacionais que vinham sendo desenvolvidos pela equipe para cursos de capacitação
em Gerência de Redes, Videoconferência e no Pós-Graduação Lato-sensu Informática
na Educação. Todos estes cursos têm sido desenvolvidos em modalidade a distância e
material didático de apoio foi projetado e construído para apoiar as atividades de
aprendizagem. A busca e recuperação dos recursos de aprendizagem é também um
aspecto importante neste contexto. Os materiais desenvolvidos, principalmente os que
usam multimídia educacional, precisam ser organizados e armazenados com vistas a seu
acesso on-line e adequadamente catalogados para que possam ser recuperados quando e
como necessário. Visando a possibilidade de reutilização de tais recursos foi projetado e
implementado um serviço de diretórios para permitir o registro de objetos educacionais.
Uma especificação inicial de metadados para os objetos educacionais foi elaborada
e, a partir da mesma, um serviço de registro e catalogação de objetos educacionais foi
colocado em operação, usando um servidor LDAP.
Exemplos de recursos educacionais produzidos são:
vídeos sincronizados com material de apresentação;
vídeos com demonstrações e/ou simulações;
CBT - Computer Based Training (ToolBook);
WBT - Web Based Training (Director, Flash, etc.);
material interativo construído com programas de apoio para auto-avaliação
usando Java e outros mecanismos disponíveis nos ambientes de autoria de
courseware, tais como Java Builder.
Os materiais (multimídia educacional) desenvolvidos estão sendo organizados e
armazenados em servidores WWW e servidores de vídeo sob demanda. Estes recursos
estão sendo catalogados para fins de disponibilização e reuso. A catalogação está sendo
feita em consonância com normas de padronização internacionais (IEEE P1484
Leaning Objects Metadata) e os dados de catalogação serão disponibilizados em
diretório on-line (servidor LDAP do diretório do projeto DUNGA).
A partir da análise das especificações de metadados para os objetos educacionais
elaboradas pelo Learning Technology Standards Committee do IEEE, foi construída
uma especificação com atributos para descrever os objetos educacionais, baseado no
padrão de metadados para learning objects LTSC/IEEE. A especificação de metadados
criada para a categorização dos objetos educacionais no repositório foi elaborada em
consonância com a norma IEEE 1484.12.1 (Learning Objects Metadata). A norma
especifica atributos agrupados em 9 (nove) categorias para descrição de um objeto
educacional. A utilização dos atributos é opcional, ou seja, uma estrutura de metadados,
em conformidade com a norma, pode não conter todos os atributos (IEEE/LTSC, 2002).
Para a implementação do sistema de cadastramento dos objetos educacionais, foram
utilizadas 5 (cinco) categorias na especificação dos metadados: geral, ciclo de vida,
técnica, educacional e direitos.
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A categoria geral agrupa informações gerais que descrevem o objeto. Os seguintes
atributos foram utilizados:
Identificador - identificação única do objeto;
Título - nome dado ao objeto;
Idioma - idioma utilizado no objeto (português, inglês, espanhol, francês);
Descrição - descrição textual do conteúdo do objeto;
Palavras-chave - palavra(s)-chave descrevendo os tópicos do objeto.
A categoria ciclo de vida agrupa informações que descrevem as características
relacionadas ao histórico e estado atual dos objetos e todos aqueles que o têm afetado
durante sua evolução. Os seguintes atributos foram utilizados:
Versão - a versão/edição do objeto;
Status - estado atual do objeto (rascunho, revisado, editado, indisponível);
Tipo de contribuição - autor, editor, desconhecido, iniciador, designer gráfico,
técnico, provedor de conteúdo, roteirista, designer instrucional, especialista em
conteúdo;
Entidades que contribuiram - pessoas e/ou organizações que contribuiram na
evolução do objeto;
Data - data da contribuição.
A categoria técnica agrupa os requisitos e características técnicas do objeto. Os
seguintes atributos foram utilizados:
Formato - formato de todos os componentes do objeto (MIME types), este
atributo pode ser usado para identificar o programa necessário para acessar o
objeto;
Tamanho - tamanho do objeto em bytes;
Localização - URL (Universal Resource Locator) do objeto;
Tipo de tecnologia - sistema operacional e navegador (relacionado com o
atributo nome da tecnologia);
Nome da tecnologia - PC-DOS, MS-Windows, Mac-OS, Multi-OS, Unix ou
Nenhum para sistema operacional e Netscape, MS-Internet Explorer, Opera,
Amaya ou Nenhum para navegador;
Duração - tempo de duração (utilizado para sons, vídeos, animações).
A categoria educacional agrupa as características educacionais e pedagógicas do
objeto. Os seguintes atributos foram utilizados:
Tipo de interatividade - modo predominante de aprendizagem (ativa,
expositiva, mista);
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Recurso de aprendizagem: tipo específico do objeto (exercício, simulação,
questionário, diagrama, figura, gráfico, índice, slide, tabela, teste, experiência,
texto, problema, auto-avaliação, palestra);
Nível de interatividade - grau de interatividade (muito baixo, baixo, médio,
alto, muito alto);
Usuário final esperado - tipo de usuário para o qual foi desenvolvido o objeto
(professor, autor, aluno, gerenciador);
Ambiente de utilização - escola, faculdade, treinamento, outro;
Faixa etária - idade do usuário final esperado;
Descrição - comentários sobre como esse objeto deve ser usado.
A categoria direitos agrupa os direitos de propriedade intelectual e as condições de
uso do objeto. Os seguintes atributos foram utilizados:
Custo - se a utilização do objeto requer pagamento (sim ou não);
Direito autoral - se há restrições de direito autoral para o uso do objeto (sim ou
não);
Condições de uso - comentários sobre as condições de uso do objeto.
Utilizando a especificação de metadados proposta, foi implementado o sistema para
cadastro e consulta de objetos educacionais conforme apresentado na próxima seção.
5. A implementação do projeto
Para a construção deste sistema, utilizou-se, como recurso de armazenamento e
consulta, a estrutura de diretórios LDAP (Lightweight Directory Access Protocol).
LDAP é um protocolo aberto para acessar serviços de diretórios X.500.
O LDAP é a alternativa leve para o Protocolo de Acesso a Diretórios X.500 (X.500
Directory Access Protocol DAP) para uso na Internet. Ele usa a pilha TCP/IP ao invés
da complexa pilha OSI. Ele também possui outras simplificações, como a representação
da maioria dos valores dos atributos como texto e muitos itens do protocolo como
strings textuais, que são designadas a facilitar a implementação de clientes.
Para a criação da base LDAP foi necessária a especificação dos atributos descritos
na norma IEEE 1484.12.1 na linguagem ASN.1 (Abstract Syntax Notation One) e sua
posterior incorporação ao objeto lom (Learning Object Model), criado e usado para o
cadastro dos objetos educacionais. Para identificar os atributos e objetos foi usado o
OID (Object Identificator) 1.2.6.1.9.100, designando pelo IANA (Internet Assigned
Numbers Authority) para a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
Os primeiros cinco dígitos do OID acima citado são da UFRGS e o número 100 que
vez após este identificador é o número usado para designar o objeto lom.
A tabela 1 mostra um exemplo de um atributo utilizado pelo objeto lom.
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attributetype ( 1.2.6.1.9.100.1.2 NAME 'lomTitle'
DESC 'Name given to this learning object'
EQUALITY caseIgnoreMatch
SYNTAX 1.3.6.1.4.1.1466.115.121.1.15{1000} )
Tabela 1 Exemplo de atributo
O identificador do atributo lomTitle, mostrado na tabela 1, possui o identificador
1.2.6.1.9.100.1.2. O número que vem após o OID do objeto é indicativo do código do
atributo na norma IEEE 1484.12.1. O campo DESC é uma descrição do atributo. O
campo SYNTAX, que possui o identificador 1.3.6.1.4.1.1466.115.121.1.15 (indica que
o atributo é uma string), diz que o limite é de 1000 caracteres.
Para cada um dos atributos descritos na norma do IEEE, foi criada uma entrada de
atributo dentro do servidor LDAP. A tabela 2 mostra o nome todos os atributos criados
e importados pelo objeto lom.
objectclass ( 1.2.6.1.9.100.0 NAME 'lom' SUP top STRUCTURAL
MUST ( lomIdentifier )
MAY ( lomGeneral $ lomTitle $ lomLanguage $ lomDescription $
lomKeyword $ lomLifeCycle $ lomVersion $ lomStatus $ lomContribute $ lomRole $
lomEntity $ lomDate $ lomTechnical $ lomFormat $ lomSize $ lomLocation $
lomRequirement $ lomOrComposite $ lomType $ lomDuration $ lomEducational $
lomName $ lomInteractivityType $ lomLearningResourceType $ lomInteractivityLevel $
lomSemanticDensity $ lomIntendedEndUserRole $ lomContext $ lomTypicalAgeRange
$ lomEducationalDescription $ lomRights $ lomCost $
lomCopyrightAndOtherRestrictions $ lomRightsDescription ) )
Tabela 2 Descrição do objeto lom
O exemplo da tabela 2 mostra que o objeto necessita obrigatoriamente do atributo
predefinido lomIdentifier e todos os demais que estão no campo MAY.
Para a implantação do servidor LDAP, foi utilizado o software OpenLDAP
(OpenLDAP, 2003). Para a criação da interface de consulta foram utilizadas as
linguagens PHP (PHP, 2003) como SSI (Server Site Included), e DHTML e JavaScript
como CSL (Client Site Included).
Para a parte de implementação, o PHP foi usado para receber as informações vindas
do formulário de cadastro e fazer a sua inclusão dentro do sistema LDAP. Este mesmo
recurso foi utilizado para a parte de consulta, recebendo as informações vindas do
formulário de consulta e fazendo uma busca da base de dados LDAP.
O sistema operacional utilizado para o protótipo foi o RedHat Linux versão 7.3. O
servidor web, para o suporte as aplicações SSI, utilizado foi o Apache versão 1.3.27. A
versão de PHP utilizada foi a 4.3.1.
As entradas de dados no sistema LDAP são realizadas através de uma interface
WEB. A figura 1 mostra esta interface.

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Figura 1 Tela de cadastro
Assim como o cadastro, a consulta também é realizada utilizando uma interface
WEB. A figura 2 mostra o retorno de uma consulta.
Figura 2 Tela de consulta
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6. Conclusões
A iniciativa ora descrita, de criar um repositório de objetos educacionais para fins de
reuso não representa uma iniciativa isolada, mas está em consonância com tendências
internacionais. A construção de repositórios interoperáveis de objetos educacionais
permitirá o desenvolvimento de sistemas de aprendizagem adaptativos capazes de
montar conteúdos sob demanda para prover aos estudantes situações de aprendizagem e
apoio em qualquer momento e a partir de qualquer lugar.
Todos estes avanços nos elementos que são mediadores na comunicação atuam
como catalisadores de mudanças no cenário educacional. Da aprendizagem apoiada em
texto linear, seqüencial, dependente do professor, os personagens atuantes neste novo
contexto passam para um processo de aprendizagem por demanda num contexto de
multimídia e hipertexto onde a navegação é decidida dinamicamente pelo estudante e
que, principalmente, não fica mais restrita ao que o lhe é apresentado pelo professor ou
pela escola. Ao contrário, esta serve apenas de base para um processo de crescimento no
qual o estudante tem a oportunidade de tomar as rédeas do controle de sua
aprendizagem e sair em busca das condições que o ajudarão a crescer, construindo seu
conhecimento através de processos de assimilação/acomodação segundo proposto por
Piaget (1976).
7. Referências
Advanced Distributed Learning (ADL). Disponível em: http://www.adlnet.org.
Acesso em: 11 fev. 2003.
HODGES, J. e MORGAN, R. RFC 3377 Lightweight Directory Access Protocol
(v3): Technical Specification.. September, 2002.
IEEE Learning Technology Standards Committee (LTSC). Draft Standard for
Learning Object Metadata (IEEE 1484.12.1-2002). Julho de 2002. Disponível em:
http://ltsc.ieee.org/doc/wg12/LOM_1484_12_1_v1_Final_Draft.pdf. Acesso em: 02 fev.
2003.
International Telecommunicatins Unit. The Directory: Overview of Concepts, Models
and Service. ITU Recommendation X.500, 1988.
International Standards Organization. ISO Information Processing Systems -- Open
Systems Interconnection -- The Directory: Overview of Concepts, Models and
Service. ISO/IEC JTC 1/SC21; International Standard 9594-1, 1988.
OpenLDAP Software. Disponível em: http://www.openldap.org. Acesso em: 12 jan.
2003.
PHP: Hypertext Preprocessor. Disponível em http://www.php.net. Acesso em: 17 fev.
2003.
PIAGET, J; INHELDER, B. Da lógica da criança à lógica do adolescente. São Paulo:
Pioneira, 1976.
11
STOKES, E.; WEISER, R.; MOATS, R.; HUBER, R. RFC 3384 Lightweight
Directory Access Protocol (version 3) Replication Requirements. October, 2002.
WEIDER, C.; REYNOLDS, J. RFC1308 Executive Introduction to Directory
Services Using the X.500 Protocol. Março, 1992.