O apogeu do cognitivismo racionalista (i.e. tradicional) da lingüística em Sperber &
Wilson (S&W): os grandes sistemas mentais como ferramentas úteis na educação
The heyday of the rationalist cognition's science (i.e. traditional studies) in Sperber
& Wilson (S&W): the great mentalist systems as useful tools in education
Rosa Maria Viccari
Ricardo Holmer Hodara
RESUMO
Este artigo ilustra e comenta a Teoria da Relevância (TR) em S&W (Sperber &
Wilson, no período 1986-1996) através de considerações históricas e estruturais,
apresentando-a como o "estado da arte" de um teoria cognitiva tradicional, proveniente
da Lingüística e da Psicologia Cognitiva. Também será descrito o ambiente cognitivo
nela inspirado e suas possíveis conseqüências de aplicação na área da Educação.
Palavras-chaves: relevância, cognição, educação, psicologia, Sperber & Wilson.
This article illustrates and comments the TR as in S&W (Sperber & Wilson,
range 1986-1996) through historical and structural considerations. The TR has been
shown as the "state of the art" of a traditional study originating from cognitive
Linguistics to the Cognitive Psychology. Also we present a cognitive environment
which would be described as TR's inspired as well as its possible application's
consequences in Education.
Key words: relevance, cognition, education, psychology, Sperber & Wilson.


Professora universitária em ciência da computação, doutora, UFRGS, vice-
coordenadora do PGIE (Pós-graduação em Informática Educacional), rosa@inf.ufrgs.br

Psicólogo, mestre, UFRGS, doutorando, rhhodara@hotpop.com,
http://cognição.web1000.com, bolsista doutorado (CAPES)

II
INTRODUÇÃO
Uma das principais características de todas as grandes teorias da aprendizagem e
desenvolvimento formuladas ao longo do século XX ­ principalmente durante seus
primeiros sessenta anos ­ consiste numa abordagem que tende mais ao racionalismo
(i.e. dedutivismo) que ao empiricismo, mais a sistemas gerais que particulares (Piaget,
1986), ao tratamento top down da informação obtida, e às noções de estágioi (Bee,
1996), à preocupação excessiva com o dilema "quantitativo x qualitativo", e à escassez
de conhecimentos sobre genética humana (Bee, 1996) e processos neurobiológicos
(Calvin & Bickerton, 1999).
Como todos os ramos das ciências naturais e sociais, felizmente, o panorama
passou a ser enriquecido pelos avanços críticos, analíticos e empíricos das últimas
décadas do século recém terminado. Avanços em diversas áreas têm minado certezas,
modificado conclusões e invertido metodologias clássicas (Churchland, 1996).
Apesar disso, devemos muito aqueles sistemas gerais, tanto na Psicologia,
quanto na Lingüística e Educação. Sem dúvida, o programa da TR encontra-se ligado,
no terreno do estudo da linguagem, à herança de Paul Grice na pragmática (S&W, 1995)
e dos atos de fala de Austin e Searle (Campos, 1986), todos esses sistemas podendo
também ser considerados de caráter geral. Ou seja, podemos afirmar que a mesma
atmosfera intelectual, métodos, vantagens e desvantagens científicas que caracterizaram
o período das grandes teorias gerais da mente e do comportamento humano estão
também presente na obra de S&W.
Antes de avançarmos na nossa demonstração dos testes e implementações da TR,
com os possíveis resultados práticos para as áreas da Psicologia escolar, clínica e
Educação, e como este artigo se situa no campo da pragmática e da psicologia cognitiva,
é mister que se faça uma rápida recapitulação histórica relativamente à Ciência da
Lingüística.
De suas origens que remontam à Filologia e a Lingüística histórica, tal linhagem
de desenvolvimento de conhecimentos atingiu o status de ciência social a partir de
Saussure, em função da notável distinção entre langue e paroleii.
A partir de Chomsky, nos anos cinqüenta, e em função dos grandes
acontecimentos tecnológicos e científicos ocorridos no pós-guerra, a Lingüística atingiu
o status de ciência natural. Sucedeu-se, então, concomitantemente, o surgimento e o
amadurecimento das diversas lógicas da linguagem, fortemente ancoradas na Filosofia
da Linguagem, e de sua integração lenta ao universo variado de outras áreas que não a
própria filosofia.

III
Em paralelo à aplicação da lógica moderna e das matemáticas a áreas novas,
puras e aplicadas da atividade acadêmica e tecnológica, ocorreu a recriação de novos
conhecimentos humanos e o surgimento de novas disciplinas de pesquisa.
Foi a partir desse momento muito rico que se abriu para a Lingüística algo que já
vinha sendo há muito prenunciado: o seu interfaceamento com toda a tradição lógica,
filosófica e empírica das ciências naturais modernas, e com as novas matemáticas.
Nos primórdios dos estudos que conduziram a este momento privilegiado da
História da Ciência, ainda não havíamos entendido claramente que, mesmo através de
diferentes métodos e pressupostos, os cientistas que hoje se debatem com os problemas
da linguagem, método lógico, pensamento e cérebro, compartilham a mesma certeza
que acabou emergindo do fracasso da semântica comportamental de Bloomfield, bem
como de todas as tentativas semanticistas do passado. A saber, o fato necessário que nos
diz ser a linguagem um processo que não pode ser adequadamente resumido a seu
conjunto completo de descrições observáveis.
Assim sendo, somente uma ciência da linguagem integradora, altamente
interfaceada com outros campos científicos e baseada na sistematização das diferenças
epistemológicas a partir de diferentes esquemas descritivos é que poderia atingir o
status, como Ciência Lingüística, de uma prática científica normal (Kuhn, 1978).
Dos três possíveis esquemas apontados à época (anos trinta), constavam a
semântica traducional, a semântica referencial, e a semântica comportamental. O
"pai" da Lingüística Americana ­ Leonard Bloomfield ­ sob a influência dos psicólogos
behavioristas Watson e Skinner e de todo um ethos, escolheu esta última: a semântica
behaviorista, focada apenas nos inputs e outputs por excelência.
No entanto, o mundo, em sua perpétua revolta contra teóricos e teorias, parece
estar apontando para a primeira das alternativas de Bloomfield ­ justamente aquela que,
à época, parecia ser a forma mais arcaica e superada ­ até mesmo mistificadora ­ que
uma teoria básica dos significados poderia assumir. A semântica traducional sugere que
o problema do significado ­ que sempre foi o primo mobile da Lingüística ­ deve ser
encarado como um problema a ser traduzido, mas agora não mais para uma língua
especial e fundamental hipotética, mas para outro tipo de problema (ou muitos outros),
sendo este problema traduzido, um problema metodologicamente viável de ser melhor
tratado dentro dos corpos de conhecimentos de outras áreas da investigação.
Depois de feitas as considerações dos dois últimos parágrafos, nós não
poderíamos deixar de lembrar que, aconteça o que acontecer com a Teoria da
Relevância, a iniciativa de Sperber & Wilson se caracteriza exatamente por forjar esse
produto híbrido de vários mundos.

IV
E, mais que isso, a obra de Sperber & Wilson também respeita a dimensão
descritiva da Lingüística como surgida ao longo da tradição.
A CONDIÇÃO PROBLEMA
Nos anos anteriores a 1950, o imenso desenvolvimento da filosofia analítica, do
behaviorismo na psicologia animal, da lógica de Boole e de Morgan, das análises
matemáticas de teoremas e das primeiras linguagens artificiais ­ que um dia viriam a ser
implementadas eletronicamente, incluindo uma extraordinária Inteligência Artificial
fortemente inspirada na Lógica e na Engenharia (Searle, 1984) ­ não chegou a invadir o
terreno que tange à compreensão da língua natural, e tout court, do aprendizado no
desenvolvimento infantil mais amplo e na Educação.
E a língua natural, como se sabe, não se conformava às exigências da Lógica
Proposicional. Qualquer um dos dois grandes baluartes filosófico-lingüísticos da época
­ se quisermos fazer uma rápida avaliação ­ Charles Morris e Rudolf Carnap, não
tinham uma teoria adequada da pragmática ao longo de suas obras (Yoos, 1999), apesar
do fato da mais conhecida subdivisão tripartida da Lingüística se dever a Morris.
Foi somente em plenos anos cinqüenta que as coisas começaram a mudar.
Durante as palestras na Universidade de Chicago em 1956, o filósofo britânico Jonh
Austin apareceu em cena. Suas conferências versavam sobre um assunto muito pouco
nobre para os padrões da filosofia e da próprio Lingüística inatista e sintaticista da
época (Chomsky, 1986). Austin tematizava a função da linguagem cotidiana na
produção de ações ordinárias. A fala, dizia Austin, também tinha que ser estudada não
apenas como um sistema lógico (ou lógico-redutível) de proposições declarativas ­ mas
também como um esquema de intenções de produzir uma ação extralingüística, e como
uma iniciativa também "retrorregulada" pela ação engendrada.
Surgia, aí, a noção pragmática inicial de ato de fala. Não podemos deixar de
imaginar que esta noção não tenha sido inspirada pelo trabalho de Wittgenstein das
Investigações Filosóficas e de certos filósofos do Círculo de Viena que, ao contrário de
Carnap, aderiram à posição de Wittgenstein no sentido de concluir pela inviabilidade da
Lógica Proposicional como sendo "a" Lógica ou "a" estrutura subjacente à possível
compreensão de todos os fenômenos físicos e naturais ­ além de subjacente à própria
gramática de toda linguagem natural, e de seus usos.
O surgimento da moderna pragmática, a partir da noção perlocucionária de ato
de fala, não obliterou, é preciso que se diga, a importância da Lógica Simbólica ou da
formalização no estudo da linguagem ou na implementação de linguagens artificiais.

V
O que aconteceu foi uma percepção geral de que o excesso formalista poderia
estar destruindo a possibilidade de intuições lógicas informais relativamente ao
funcionamento da língua.
Ao invés dos lingüistas estarem interpretando e analisando o que se processava
em linguagem ordinária através dos recursos da própria linguagem ordinária de uma
maneira lógica informal (para depois pensarem, talvez, em algum outro recurso), o que
se estava fazendo era tentar enfiar a linguagem natural dentro da camisa-de-força da
Lógica Simbólica existente.
Ora, a partir do fracasso heurístico do projeto original do Positivismo Lógico, os
cientistas se perguntavam como tratar de uma forma produtiva, através da Lógica
Proposicional ou de Predicados, questões tão relevantes e pouco ou nada formalizáveis
como promessas, gestos significativos, avisos, súplicas, desabafos, ameaças, metáforas,
pedidos, ritos simbólicos ou simples ordens.
A formalização como uma ferramenta analítica simplesmente não era suficiente
para lidar com a complexidade dos argumentos em língua ordinária. De fato, essa é uma
das partes que consideramos mais interessantes no estudo da Teoria da Relevância de
Sperber & Wilson (1995): era preciso supor, com Jonh Austin e outros "novos"
filósofos e lingüistas, que as pessoas que dominavam a gramática de uma língua e o seu
uso, de certa forma, já sabiam se comunicar e inferir logicamente de um modo
adequado. E, assim sendo, e de alguma forma misteriosa, os sujeitos já dominavam
(conscientemente ou inconscientemente) toda a Lógica subjacente à língua natural.
Então, por que haveria a necessidade de se impor a tal Lógica uma maneira
formalizada e canônica de representação? Talvez fosse melhor que se aceitasse o fato de
que os Lógicos Proposicionalistas e filósofos modernos (i.e. Lógicos) estavam apenas
buscando o aprimoramento operacional de uma ferramenta poderosa para explorar a
realidade. E que, afinal, não se estava, de fato, buscando a revelação de uma Lógica
Universal, única estruturadora da cognição humana, oculta sob inputs e outputs
variados.
Seja como for, os novos pragmaticistas passaram a supor, metodologicamente,
que fosse como fosse não se poderia mais partir do pressuposto de que a segunda
possibilidade enunciada no parágrafo acima contivesse, a priori, a verdade da
linguagem natural.
Por esse motivo, desenvolveu-se o conceito de inferência não-trivial, não-
monotônica, entimemática e abdutiva (Campos, 1986) ­ nomes pomposos para
significar apenas que estamos falando de inferências lógicas de natureza não
propriamente dedutiva e capazes de realizar aprendizado.

VI
Era exatamente este tipo de inferência lógica informal, do dia-a-dia, que estava
começando a chamar a atenção das comunidades lingüísticas a partir do final dos anos
cinqüenta.
Enfim, é preciso dizer que havia e ainda há, entre as ciências da linguagem e da
mente, e as ciências físicas de "objeto externo", um grande fosso. Há uma grande
distância entre argumentos definidos logicamente em Física e Química, por exemplo, e
argumentos definidos retoricamente durante os atos de fala.
As aproximações lógicas e definições que ocorrem nas ciências naturais e
formais apresentam uma grande (ou total) literalidade. São expressões literais,
expressões que mesmo não "correspondendo" exatamente ao que ocorre no "mundo
real", apresentam a vantagem metodológica de expressarem exatamente aquilo que
referem, e nada mais.
Por este motivo, um matemático ou um físico nunca esperam encontrar "no
mundo" algo que não possa, em princípio, ser revelado através de símbolos
metodologicamente adequados e operacionalmente definidos.
Mesmo na mecânica quântica e nos sistemas aritméticos incompletos, o símbolo
é determinista, vazio de significado e reina soberano. O caso é diferente nas
"humanidades" e na linguagem natural. Pois nestas áreas de estudo, as inferências são
sempre entimemáticas, as noções básicas vagas e de difícil formalização, e os símbolos
incompletos.
Além disso, o grau de consciência lingüística e atenção focalizada, ao não
permanecer fixo, pode alterar a própria linguagem que aquela consciência utiliza para
tratar a própria linguagem como objeto de análise. Em outras palavras, e reconhecendo
uma certa dramaticidade de nossa parte, poderíamos dizer que o korpus das ciências
naturais e exatas são capazes de formalizar o contexto, neutralizando-o.
Na performance e nos atos de fala, e aprendizado verbal, no entanto, todo
argumento retórico é sempre contextual. Todo parágrafo de um texto depende, na sua
compreensão, de outros parágrafos. Todo ato de fala sempre implica em contexto de
fala para sua compreensão. Todo significado de uma palavra particular importa em que
sua semântica "olhe" para sua sintaxe e que esta se situe em dado contexto de uso.
Mais que isso, exige-se que cada ato de inferência intencional, ostensiva ou
qualquer outra, também se situe em contexto e que cada inferência, por mais trivial que
seja, seja contextualizada, e que cada processo de comunicação esteja também ordenado
pelo seu "em torno" extralingüístico, pelo seu contexto também extralingüístico.
No complexo processo humano de comunicação social e realização de
significado ­ fundamental para parte importante do aprendizado social e educação ­

VII
parece que códigos trocados entre sujeitos não esgotam o processo cognitivo em
andamento. É necessária uma complementação lógica paripassu dada por inferências
naturais dependentes de contexto.
Tradicionalmente, o argumento lógico era uma demonstração de conexões
lógicas. O argumento retórico e pragmático era entimemático. Em outras palavras, o
argumento retórico, o ato de fala, a ostensão comunicativa, e todo aprendizado social
(memorização semântica) que possa disto depender, funcionam em contexto de
presunção cognitiva. Não possuem ­ talvez porque não possam possuir ­ a capacidade
de tornar totalmente opaca, ou totalmente clara, a caixa-preta de nossos mecanismos
mentais internos.
Enfim, nas Ciências Cognitivas maduras não é desnecessária a existência de
outras mentes, como na lógica das ciências exatas: ao contrário, é preciso supor, por
enquanto, a existência de uma outra mente até chegar-se à eventualidade, talvez
temporária, da não-testabilidade das hipóteses maiores e mais gerais.
O QUE É PRECISO SUPOR?
É preciso supor que existe uma outra mente capaz de repartir um contexto
cognitivo mútuo em expansão. É preciso supor que todos somos capazes de inferir de
forma não-trivial e de reconhecer intencionalidades comunicativas, e que todos somos
capazes de cooperar nos atos de fala e de aprendizado semântico porque somos sempre
capazes de intuir relevâncias em ambientes conversacionais. Para que eu conheça
alguém ao ponto de ser capaz de realizar comunicação, é necessário experimentar com
esse alguém. E isso vale, certamente, para programas didáticos de computador. Se o
computador é passivo e não realiza experiências com o aluno, enquanto o aluno faz
experiências com o computador, toda verdadeira comunicação e amplificação de
resultados educacionais está fadada, inexoravelmente, a dar a luz a um rato.
Escrito de outra forma, mesmo nunca havendo a certeza de que no ato
comunicacional isolamos os subcontextos cognitivos relevantes ­ dentro da memória de
que dispomos ­ ainda assim seremos capazes de realizar uma comunicação logicamente
razoável, inexata e biunívoca com outras mentes. Para isso é necessário sempre supor
que duas mentes em jogo, no mínimo.

VIII
AMBIENTE COGNITIVO
A TR consiste num sistema híbrido de interpretação dos supostos mecanismos
subjacentes aos atos de fala, incluindo códigos e inferências contextuaisiii, para o cálculo
de índices de relevância em qualquer processo comunicacional, escrito ou falado
(independente de mídia). A TR postula que a Relevância percebida na mensagem
aumenta / diminui quando os custos de processamento lingüístico diminuem /
aumentam.
Ou, em paralelo, que a Relevância aumenta / diminui (dado um custo de
processamento lingüístico-cognitivo fixo) quando os efeitos contextuais aumentam /
diminuem. Trata-se, portanto, de uma das últimas teorias cognitivas clássicas (i.e.
racionalistas), tipo "grande sistema geral", e que dá uma visão integradora e completa
dos processos mentais (ou cognitivos) que supostamente ocorrem no cérebro humano.
Como a TR jamais havia sido empiricamente testada, nem aplicada em
computadores, Hodara (Hodara, 2000) desenvolveu, em trabalho de mestrado, tanto a
teorização-modelo quanto um sistema de ambiente cognitivo simultaneamente capaz de
submeter a TR a teste estatístico e de utilizá-la num cálculo de predicados do sujeito
aprendente e interagente (i.e. cálculo de relevância) possivelmente útil na compreensão
automática dos processos cognitivos do aluno, na Educação e na Clínica.
Tendo sido originalmente implementado em Javascript, para browsers que
suportem DHTML, o sistema batizado de ZEUGMA prototipa o modelo de S&W a
partir das seguintes adaptações teóricas:
1. Custo de Processamento Cognitivo (Viso-Lingüístico) = Tempo Processado.
2. Efeitos Contextuais = Convergência/Divergência de Significados
Relevantes.iv
CONCLUSÃO
Embora tenhamos apenas conclusões preliminares, talvez seja possível afirmar o
seguinte, em caráter temporário:
1. Teorias cognitivas gerais e tradicionais (i.e. racionalistas), embora tendam a dar
espaço a abordagens mais empiricistas daqui para frente (tipo bottom-up), ainda
podem ser úteis, no presente, para a pesquisa empírica dos processos cognitivos em

IX
geral, seja como hipótese de partida, seja como crítica de resultados, seja como
auxiliares na Educação.
2. Sistemas de Informática Educacional, doravante, terão que ser neurointeligentes,
i.e., capazes de interpretar o aluno ­ um experimentando e interferindo na vida do
outro, em paralelo ­ a partir de parâmetros especiais, parte pré-programados com
conhecimentos das Ciências Cognitivas empíricas modernas, e parte descobertos
pelo próprio sistema automaticamente. Em caso contrário, estes sistemas, mesmo
que aparentem humanidade e desempenho esperto, provavelmente recairão na
trivialidade em termos de baixa facilitação de aprendizado, ausência de diagnóstico
e de conhecimento do sujeito aprendente.
3. De modo geral, é possível afirmar que sistemas educacionais que operem em três
camadas de inteligência (aquilo que nossa equipe batizou de sistemas triplo "I",
sendo o ZEUGMA apenas duplo "I") ­ a saber, superfície apresentada em
infomídia na Primeira Camada, cálculo de parâmetros cerebrais (Relevância, outros)
do sujeito aprendente em Segunda Camada, e tomada automática de decisão quanto
a como interagir para maximizar o aprendizado do sujeito, como facilitador
educacional eficaz, em Terceira Camada ­ são possíveis de ser implementados em
computador.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BEE, Helen. A Criança em desenvolvimento. 7. ed. Porto Alegre: Artes Médicas,
1996. 24p.
CALVIN, W.; BICKERTON, D.; Lingua ex machina: reconciling Darwin and
Chomsky with the human brain. Massachusetts: MIT Press, 1999. 25-35p.
CAMPOS, Jorge. A relevância da pragmática na pragmática da relevância. Porto
Alegre: Acervo PUC/RS, 1984. 81 p. Dissertação de Mestrado.
CHOMSKY, Noam. Knowledge of language. London: PRAEGER, 1986.
CHURCHLAND, Paul. The engine of reason, the seat of the soul. Massachusetts:
MIT Press, 1996.
HODARA, Ricardo Holmer. A inferência pragmática computável na interface
psicologia cognitiva e lingüística. Porto Alegre: Acervo PUC/RS, 2000. Dissertação de
Mestrado.

X
KUNH, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. 2. ed. São Paulo: Editora
Perspectiva, 1978.
PIAGET, Jean. O nascimento da inteligência na criança. 4. ed. Rio de Janeiro:
Editora Guanabara, 1987.
SEARLE, John. Minds, brains and science. Massachusetts: Harvard University Press,
1984.
SPERBER, D.; WILSON, D. Relevance, communication and cognition. 2. ed.
Oxford: Blackwell, 1995.
YOOS, George. Pragmatics and Critical Thinking. Harvard press editorials,
Massachusetts, 1999.

i e.g. ou ausência total da noção de estágio, como no behaviorismo.
ii i.e. entre capacidade lingüística subjacente a todas as línguas e exercício das palavras e frases de uma
língua particular.
iii Daí seu caráter teórico híbrido. De um lado há simples conversão de códigos. Complementarmente, há
inferências. Estas são inferências lógicas proposicionais modificadas, sem regras de introdução e sem
regras de eliminação, que permitem argumentos recursivos e entimemáticos. Este tipo de lógica é mais
adequada aquilo que SW chamam de expansão dos efeitos contextuais.
iv Utilizando técnicas de memória de curto prazo e atenção aleatoriamente distribuída de forma a garantir
que a variável medida pouco dependa de atenção consciente e memorização do próprio desempenho do
sujeito durante o processo.